Ai número 3: As pessoas que fazem juramentos, mas odeiam a verdade

Você jura que nunca jurou sabendo que estava mentindo????

Quando eu era criança, buscava muitas vezes enfatizar minha honestidade, ou mais comumente encobrir minhas más ações, ou fazer juramentos.

“Juro, que caia um raio em minha cabeça e que eu morra.”
“Juro sobre a Bíblia Sagrada.”
“Juro sobre uma pilha de Bíblias.”

Algumas vezes já ouvi algumas pessoas dizer:

“Juro sobre o túmulo de minha mãe”.

Essas declarações solenes geralmente funcionavam com meu grupo de amigos (mas com os adultos não eram tão eficazes assim) e serviam para me tirar da cadeira elétrica.

O pressuposto comum era de que se alguém fosse tão longe a ponto de usar símbolos tão poderosos para defender sua honra, ele tinha de estar falando a verdade. O que era uma grande mentira, quase sempre.

Todos nós já fizemos juramentos, mesmo de brincadeira.

Houve uma época em que havia (havia ???) pessoas que juravam, juravam, mas, na verdade, odiavam a Verdade!! Pura é simplesmente eram hipócritas.

Conheça um pouquinho deles agora. Você pode descobrir que eles ainda estão por aí… bem pertinho da gente.

pessoas juramentos verdade 3 - aguas do marAs pessoas que fazem juramentos, mas odeiam a verdade.

Ai de vós guias cegos! que dizeis: Quem jurar pelo santuário, isso nada é; mas quem jurar pelo ouro do santuário, esse fica obrigado ao que jurou. Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro, ou o santuário que santifica o ouro? E: Quem jurar pelo altar, isso nada é; mas quem jurar pela oferta que está sobre o altar que, esse fica obrigado ao que jurou. Cegos! Pois qual é maior: a oferta, ou o altar que santifica a oferta? Portanto, quem jurar pelo altar jura por ele e por tudo quanto sobre ele está; e quem jurar pelo santuário jura por ele e por aquele que nele habita; e quem jurar pelo céu jura pelo trono de Deus e por aquele que nele está assentado (Mt 23.16-22).

Os juramentos funcionam! Aprendi muito cedo na vida que a “menção de Deus” tinha a habilidade de convencer as pessoas que eu estava dizendo a verdade.

Uma prática muito apreciada nos Estados Unidos e em boa parte do mundo é fazer juramentos com a mão sobre a Bíblia. No dia da posse, o presidente ainda recita seu juramento presidencial dessa forma. A ação acrescenta credibilidade e solenidade ao juramento presidencial, da mesma forma que acontece com as testemunhas no tribunal, pois elas são consideradas verdadeiras quando terminam seu juramento com estas palavras: “E que Deus me ajude”.

Algumas vezes, achamos que precisamos proferir palavras especiais para ajudar a convencer as pessoas que estamos dizendo a verdade.

Outros costumes comuns permitem que mintamos ou nos livremos de algo. “Estava com os dedos cruzados”, dizemos. Cruzar alguma parte do corpo legitima o contar mentiras. (Chamamos isso de contar lorotas.) Algumas vezes, até mentíamos e, se fossemos pegos, dizíamos: “Bem, não disse: ‘Juro por Deus, que caia um raio em minha cabeça e que eu morra’”. Mais uma vez, essa declaração pode tirar uma pessoa de uma situação difícil.

Podemos rir dessas práticas infantis. Entretanto, quando as pessoas que fazem juramentos são adultas, como nos sentimos? Certamente, não fazemos essas brincadeiras infantis, não é mesmo? Estou convencido, a partir de minha experiência com cinco crianças, que nós, os adultos fazemos o mesmo, só que de formas mais sutis e sofisticadas. As crianças demonstram a natureza pecaminosa crua; nós, os adultos, nossa natureza pecaminosa revisada. No entanto, se quiser ver a natureza pecaminosa religiosa, olhe para os fariseus, os antigos e os modernos!

Na época de Jesus, fazer juramentos era um tópico controverso. Aparentemente, as pessoas usavam os juramentos e os votos de forma equivocada. Portanto, os rabinos intervieram para tentar ajudar as pessoas a levar as promessas a sério (Nota 1). A intenção dos rabinos e dos fariseus era boa, um desejo genuíno de ajudar as pessoas a seguir a Lei de Deus. No enranto, eles, graças ao zelo de obedecer a Deus, inventaram esquemas que, contrariando a intenção original deles, resultaram na desobediência a Deus. D. A. Carson comenta: (Nota 2)

Os rabinos combateram os abusos em relação aos juramentos e aos votos em meio às massas sem instrução. Isso, sem sombra de dúvida, acontecia. Contudo, a forma como combateram essas práticas foi estabelecendo a diferenciação entre o que deixava a pessoa obrigada ao que jurou e o que não a deixava obrigada. Nesse sentido, eles, de maneira intencional ou não, encorajaram os juramentos ambíguos e, portanto, a mentira. Jesus acabou com essas complexidades ao insistir que os homens devem falar a verdade.

Em vez de insistir na veracidade, na norma e na intenção das Escrituras, os fariseus invocaram vários juramentos que soavam piedosos quando faziam os próprios juramentos. Eles faziam a distinção entre juramentos válidos e inválidos, dependendo do objeto citado. Jurar pelo templo era negociável, mas jurar pelo ouro do templo deixava a pessoa obrigada ao que jurou. Juramentos no altar eram possíveis de ser quebrados, mas juramentos junto à oferta sobre o altar deixavam a pessoa obrigada ao que jurou.

pessoas juramentos verdade 2 - aguas do marTodavia, Jesus salientou as três falhas óbvias nesse sistema de fazer votos.

1 – Primeira, aqueles que deveriam levar as pessoas à verdade estavam contribuindo para a arte do subterfúgio. Portanto, eles mereciam o título de “cegos” (Mt 23.16,17,19).

2 – Segunda, Jesus salientou que as distinções aparentemente piedosas estavam com a ordem de prioridades invertidas. Não era tanto os objetos materiais – independentemente de quão custosos fossem – que tinham peso, mas os objetos espirituais — o templo e o altar.

3 – Terceira, Jesus salientou de forma sucinta que todos os juramentos, independentemente das palavras que fossem usadas, envolviam em última instância a Deus. Desse modo, todos deixavam a pessoa obrigada ao que jurou. Portanto, quebrar um juramento que tenha usado qualquer conjunto de palavras piedosas é odioso. Jesus está realmente preocupado com a honestidade em tudo que dizemos. Ele, em razão disso, fechou todas as brechas e condenou o padrão ambíguo. Em outra admoestação sobre a honestidade, dirigida aos fariseus, ele insistiu em respostas claras e diretas sem que a pessoa tenha de fazer nenhum juramento (Mt 5.33-37).

Essa série sobre Religiosidade começou AQUI. Não deixe de ler!

Vamos fazer juramentos?

E quanto a nós? Vivemos em uma cultura em que as promessas e os compromissos, até mesmo os feitos solenemente, são rotineiramente quebrados. Juramentos piedosos, nos mais variados graus, são incluídos em nossas cerimônias de casamento, nos rituais de batismo, no oferecimento dos filhos e em alianças para se tornar membro de uma igreja, mas, com arrogância, quebramos esses juramentos.

Todo divórcio é uma grande violação da seguinte promessa: “Até que a morte nos separe”. Entretanto, gastamos a maior parte de nossa energia teológica debatendo sobre em que ocasiões é possível quebrar nossas promessas. Somos como os fariseus, buscamos brechas. Somos mestres na arte do subterfúgio.

Muitas reuniões religiosas encorajam as pessoas a fazer juramentos para as pessoas se tornarem cristãs, para seguirem Jesus, para confirmarem seu compromisso com Cristo, para se apresentarem como voluntárias no serviço de missões no estrangeiro, para se dedicarem “em tempo integral à obra de Deus” ou para cumprir certas promessas feitas em um ambiente bem carregado de emoções e de pressões de nossos iguais.

O conteúdo é mínimo. O fator custo de tais juramentos, em geral, não é mencionado. O tempo necessário para se fazer um compromisso bem ponderado é ignorado. E o escopo do juramento, muitas vezes, é altamente relevante e de longo alcance. Depois, mostramos as estatísticas, damos tapinhas no próprio ombro e nos regozijamos com a “bondade” de Deus.

pessoas juramentos verdade 4 - aguas do marO fato de proferir promessas que soam piedosas não é evidência da verdadeira espiritualidade. As palavras jamais são um substituto aceitável para a verdade. Considero uma doença, não uma manifestação de boa forma espiritual, quando nós, os pastores, encorajamos as pessoas a fazer promessas superficiais e, depois, considerarmos a nós mesmos indivíduos bem-sucedidos ministerialmente quando elas fazem isso. Considero uma doença, não uma manifestação de boa forma espiritual, permitir que qualquer conjunto de palavras espirituais substitua a honestidade e a integridade. Considero uma doença, não uma manifestação de boa forma espiritual, quando dizemos rotineiramente uma coisa e fazemos outra.

Não sabemos qual foi a resposta dos fariseus quando ouviram esses três ais dirigidos a eles. Provavelmente, a maioria deles ficou de punho cerrado por causa da raiva contida, mal acreditando naquele ataque direto do jovem rabino. No entanto, talvez alguns tenham começado a pensar se realmente eram tão sadios espiritualmente quanto supunham.

De qualquer modo, ainda não tinham ouvido a última palavra de Jesus. Ele proferiria mais quatro ais, fornecendo a seus ouvintes uma percepção do coração de um Pai celestial que desejava a verdadeira obediência. E, ao longo do caminho, eles — e nós também – poderiam aprender o caminho para a verdadeira boa forma espiritual.

Continua…

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Notas:

1 – Garland, David E. The intention of Matthew 23. Leiden, England: E. J. Brill, 1979, p. 133-134.

2 – Carson, D. A. Matthew, p. 279.

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Casado com Priscila Reis com quem tem 3 lindos filhos. Cristão, Economista. Gosto de música, viagens, e de ler. Saiba mais AQUI.

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