No discurso que fez na entrega do prêmio Templeton, Paul Davies disse que “a ciência só progredirá se os cientistas adotarem uma visão do mundo essencialmente teológica”. Ninguém pergunta de onde vieram as leis da física, mas “mesmo os cientistas mais ateus aceitam, como um ato de fé, a existência de uma ordem na natureza que obedece a leis e é, pelo menos parcialmente, compreensível para nós”. Davies rejeita duas comuns idéias errôneas. Diz que é errada a idéia de que uma “teoria de tudo” — teoria hipotética que unificaria todos os fenômenos físicos — mostraria que este é o único mundo logicamente consistente, e que isso  pode ser demonstrado, porque não há nenhuma prova de que o universo é logicamente necessário, e na verdade é possível imaginar universos alternativos que sejam logicamente consistentes. Davies diz também que é uma “tolice completa” supor-se que as leis da física são leis nossas, não da natureza. Os físicos não podem acreditar que a lei da gravitação de Newton seja uma criação cultural. As leis da física “realmente existem”, declara Davies, e o trabalho dos cientistas é descobri-las, não inventá-las.

leis de quem 1 - aguas do mar

Leis de Quem???

Ele chama atenção para o fato de que as leis da natureza por trás dos fenômenos não são descobertas por meio de observação direta, mas reveladas por experiência e teoria matemática. Essas leis são escritas num código cósmico que os cientistas devem decifrar a fim de que seja revelada a mensagem que é “a mensagem da natureza, a mensagem de Deus — a escolha do termo é sua —, mas não nossa mensagem”. A questão principal, diz Davies, é dividida em três partes:

* De onde vêm as leis da física?

* Por que temos essas determinadas leis, em vez de um conjunto de outras?

* Como explicamos o fato de que temos um conjunto de leis que dão vida a gases sem traços característicos, consciência ou inteligência?

Essas leis “parecem quase planejadas — funcionando em perfeita harmonia, como dizem alguns comentaristas — para que a vida e a consciência possam emergir”. Ele conclui, dizendo que essa “natureza planejada da existência física é fantástica demais para que eu a aceite como um simples fato. Ela aponta para um significado fundamental e mais profundo da existência”. Palavras como “propósito” e “planejamento”, ele diz, captam apenas de modo imperfeito o porquê do universo. “Mas existe um porquê, disso não tenho a menor dúvida.”

Apontamentos de Vida Sobrenatural

John Barrow, em seu discurso na fundação Templeton, observa que a complexidade infinita e a perfeita estrutura do universo são governadas por algumas leis simples, simétricas e inteligíveis. “Existem equações matemáticas, que parecem meros rabiscos num papel, que nos dizem como universos inteiros se comportam.” Como Davies, ele descarta a idéia de que a ordem do universo é imposta por nossa mente. “A seleção natural não requer a compreensão de quarks e buracos negros para nossa sobrevivência e multiplicação.”

Barrow observa que, na história da ciência, novas teorias ampliam e incluem teorias antigas. Embora a teoria da mecânica de Newton tenha sido substituída pela de Einstein — e poderá ser substituída por alguma outra no futuro —, daqui a mil anos engenheiros ainda recorrerão às teorias de Newton. Do mesmo modo, Barrow diz, as concepções religiosas a respeito do universo também usam aproximações e analogias para facilitar a compreensão de coisas novas. “Elas não são toda a verdade, mas isso não impede que sejam parte da verdade.”

leis de quem 2 - aguas do mar

O Divino Legislador

Alguns filósofos escreveram também sobre a divina procedência das leis da natureza. Em seu livro The Divine Lawmaker: Lectures on Induction, Laws of Nature and the Existence of God, o filósofo de Oxford, John Foster, defende que a melhor explicação para a regularidade da natureza, seja como for que a descrevamos, é uma Mente divina. Se  aceitamos o fato de que há leis, então temos de aceitar que existe alguma coisa que impõe essa regularidade ao universo. Mas o que é a impõe? Foster sustenta que a opção teísta é a única séria, de modo que “é racionalmente justificada nossa conclusão de que é Deus — o Deus explicado pelos teístas — que cria as leis, impondo as regularidades ao mundo”. Mesmo se negarmos a existência de leis, ele argumenta, “há um forte argumento a favor da explicação de que as regularidades são da autoria de Deus”.

Swinburne faz uma observação semelhante numa resposta à crítica feita por Dawkins ao seu argumento do desígnio:

O que é uma lei da natureza? (Nenhum de meus críticos enfrentou essa questão.) Dizer que é uma lei da natureza que todos os corpos se comportem de certa maneira — por exemplo, atraem-se mutuamente de acordo com certa fórmula — é, eu sugiro, dizer apenas que cada corpo físico comporta-se assim, isto é, atrai cada corpo dessa maneira. É mais simples supor que essa uniformidade surge da ação de uma substância que faz com que todos comportem-se da mesma maneira do que supor que o comportamento uniforme de todos os corpos é um fato irracional e final.

leis de quem 3 - aguas do marO principal argumento de Swinburne é que um Deus personificado com as qualidades tradicionais explica melhor a operação das leis da natureza. Richard Dawkins rejeitou esse argumento, dizendo que Deus é uma solução muito complexa para explicar o universo e suas leis. Parece-me bizarra essa declaração a respeito do conceito de um Ser espiritual onipotente. O que há de complexo na idéia de um Espírito onisciente e onipotente, uma idéia tão simples que é compreendida por todos os seguidores das três maiores religiões monoteístas, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo?

Alvin Plantinga recentemente observou que, pela própria definição de Dawkins, Deus é simples, não complexo, porque é um espírito, não um objeto material e que, portanto, não tem várias partes. Retornando a minha parábola do telefone via satélite do POST anterior, as leis da natureza são um problema para os ateístas porque elas são uma voz de racionalidade ouvida pelos mecanismos da matéria.

“A ciência baseia-se na suposição de que o universo é meticulosamente racional e lógico em todos os níveis”, escreve Paul Davies, comprovadamente o mais influente expositor contemporâneo da ciência moderna. “Os ateístas alegam que as leis da natureza existem sem nenhuma razão, e que o universo é, em última análise, absurdo. Como cientista, acho difícil aceitar isso. Tem de haver um solo firme e racional onde está enraizada a ordenada e lógica natureza do universo.” Esses cientistas que apontam para a Mente de Deus não apenas adiantam-se na apresentação de uma série de argumentos, ou de um processo de raciocínio silogístico, como propõem uma visão da realidade que emerge do centro conceitual da ciência moderna e impõe-se à mente racional. E uma visão que eu, pessoalmente, considero não só convincente como irrefutável.

Continua em: O Universo e suas Leis.


Pegue seu presente agora mesmo!

Digite seu email abaixo e ganhe o Ebook

Evidências da Existência de Deus

Seu email nunca será compartilhado.

Powered by Optin Forms
Compartilhe
Casado com Priscila Reis com quem tem 3 lindos filhos. Cristão, Economista. Gosto de música, viagens, e de ler. Saiba mais AQUI.

Deixe uma Resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here