O que Jesus diria para os fariseus modernos como você e eu?

Jesus, por sete vezes, fala: “Ai”, para os fariseus. Os ais também podem expor nossa doença, nós que, às vezes, somos tão parecidos com os fariseus. Mas os ais não precisam nos levar à tristeza e à melancolia. Ao contrário, eles podem nos levar à humildade e ao arrependimento, à medida que reconhecemos a necessidade que temos de ser liderados por Jesus. Jesus chorou pelos fariseus, homens equivocados (Mt 23.37,38), da mesma forma que chora por nós, a fim de que descubramos nossa força apenas nele, não na justiça superficial.

O que, na superfície da vida dos fariseus, parecia aptidão, na realidade, mascarava a doença espiritual. E, fundamentado nas Escrituras e em minha experiência, tenho todos os motivos para suspeitar de que esse mesmo paradoxo permeia nossa subcultura evangélica de hoje.

O que Jesus diria para os fariseus modernos como voce e eu 1 - aguas do marJesus, o cirurgião magistral da alma, sonda o que está por baixo da pele espiritual de líderes aparentemente religiosos e diagnostica alguns problemas escondidos em nosso íntimo. Como os três atletas de renome mundial que encontramos na introdução (Leia AQUI ), os “pacientes” não demonstravam nenhum sintoma claro da doença que tinham — eles, até mesmo, pareciam espiritualmente robustos para todos, exceto para os olhos capazes de discernir. Jesus, porém, reconheceu e diagnosticou o problema. Em seu último discurso público, registrado em Mateus 23, Jesus fez seu último apelo para que os fariseus se submetessem à cirurgia do coração que tanto necessitavam. Jesus, de forma direta, apontou os sete defeitos fatais do coração dos fariseus. Examinaremos os primeiros três neste capítulo, e os outros quatro no próximo. Jesus, ao declarar esses “ais”, expressou um misto de raiva, preocupação e angústia. Os ais representam uma mensagem de alerta e um chamado para nós hoje.

#1 – Primeiro AI: O porteiro do lado errado da porta

Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque fechais aos homens o reino dos céus; pois nem vós entrais, nem aos que entrariam permitis entrar (Mt 23.13).

Pergunte a qualquer evangélico fundamentalista que acredita na Bíblia o que é necessário para entrar no reino dos céus, e garanto que você receberá uma boa resposta (nota 1). Podemos nos levantar e deixar a sala por causa de sinceras diferenças de opinião quando se trata de eclesiologia e escatologia. No entanto, estamos certos do que é necessário para entrar no reino dos céus. Contudo, algumas vezes, em nosso zelo para entregar o evangelho puro e integral, comportamo-nos como os fariseus e obstruímos a entrada para o reino de Deus.

Jesus retrata o porteiro no primeiro “ai”. Em nossa cultura, esse porteiro equivaleria ao agente da polícia federal que verifica os passaportes. A porta em vista é a entrada para o reino de Deus, e os fariseus se ofereceram para serem os porteiros. Eles têm certeza de sua teologia. Eles sabem o que é preciso para ser salvo e continuar salvo. Eles acham que podem determinar se uma pessoa é sincera ou não. Eles certamente conhecem os tipos de pessoas que não precisam se inscrever para entrar no céu. Aparentemente, os fariseus achavam que eram responsáveis pela tarefa de tomar conta da porta dos céus antes de Pedro assumir o posto! Na superfície, “guardar a porta” para o reino parece uma tarefa para o que está em boa forma espiritual.

O que Jesus diria para os fariseus modernos como voce e eu 2 - aguas do marAqueles que assumem essa tarefa devem estar preocupados com a vida eterna, conhecer o caminho para a vida eterna e desejar que outros encontrem a vida eterna. Além disso, eles, da mesma maneira, deveriam cuidar para impedir que os que não estão em boa forma espiritual entrem nos céus. É uma brincadeira cruel dar a impressão para as pessoas que elas estão a caminho do céu quando, na realidade, não estão.

Os fariseus acreditavam sinceramente que eram os guias espirituais (Rm 2.17-20).

No entanto, Jesus não cooperou com a autoavaliação dos fariseus. Na verdade, ele considerou uma doença o ar de boa forma espiritual que aparentavam.

#1 – Primeiro, Jesus deixou implícito que Deus não solicitou nenhum preenchimento de ficha para o trabalho de porteiro do céu; os fariseus estavam errados ao assumir um trabalho que Deus não lhes dera.

#2 – Segundo, nenhum ser humano pode se qualificar para assumir essa responsabilidade de porteiro do reino. A Bíblia deixa claro que nosso julgamento espiritual não é muito preciso. Não temos a percepção de como é o nosso coração, e muito menos o coração dos outros (Jr 17.9). Os fariseus eram culpados de permitir a entrada de pessoas a quem Deus não permitiria entrar e a exclusão daqueles a quem Deus incluiria.(Nota 2).

#3 – Terceiro, os fariseus, em essência, obstruíam a porta, como os leões-de-chácara que barram a porta de alguns estabelecimentos, pois ficavam no caminho de Deus e de seus planos. Pois eles haviam criado os preconceitos e os falsos conceitos (lei, obras, mérito, circuncisão etc.) do evangelho. Esse comportamento não é espiritualmente sadio, e Jesus diagnosticou isso ao chamar os fariseus de “hipócritas”. A “bondade” era mais uma representação teatral que um fato real. Supostamente, os esforços piedosos deles para guardar a porta dos céus estavam, na realidade, desviando as pessoas dos céus! Na verdade, os fariseus recusaram reconhecer Jesus como o Messias fazendo tudo que estava ao alcance deles para dissuadir os outros de segui-lo (Nota 3).

Esse ai retrata os indivíduos religiosos cujo coração é desprovido de graça, os que se consideram os porteiros dos céus. Também fazemos isso? Acho que sim. Na Bíblia, raramente os pecados dos religiosos não se assemelham aos nossos.

O que Jesus diria para os fariseus modernos como voce e eu 4 - aguas do marAi de nós, fariseus…

Primeiro, precisamos perguntar a nós mesmos se Deus nos deu a tarefa de guardar a porta do reino. É verdade, ele realmente ordenou que saíssemos mundo afora para pregar o evangelho (Mt 28.18-20; Mc 16.15; At 1.8). Fomos comissionados para ser embaixadores (2Co 5.14-21). Sem dúvida, o Senhor nos deu a oportunidade de chamar pessoas para vir para o reino de Cristo. Somos responsáveis por preservar a simplicidade e a integridade do evangelho. O apóstolo Paulo passou a maior parte de seu ministério definindo o evangelho (Rm) e opondo-se a várias tentativas para alterar o evangelho ou para acrescentar algo a ele (Gl).

E quanto a esse negócio de guardar a porta? Devemos deixar claro logo de início que guardar a porta e praticar a disciplina na igreja náo são sinônimos. Precisamos proteger a pureza da igreja do pecado grosseiro, conforme l Coríntios 5 nos informa. No entanto, não temos de nos envolver nesse negócio de ficar julgando as pessoas fora da igreja (lCo 5.9-12). Além disso, na parábola do trigo e do joio (Mt 13.24-30,34-43), Jesus disse a seus discípulos para que não tentassem separar o genuíno do falso por temor de que o bom pudesse ser ferido.

Nossa tarefa como “evangélicos” é proclamar o evangelho e fazer discípulos de Jesus Cristo. Náo podemos saber se a profissão da pessoa é genuína, pois náo podemos julgar o coração da pessoa; só Deus pode fazer isso.

Um dos maiores debates na comunidade cristã ao longo dos vários anos diz respeito à tentativa de diálogo entre os evangélicos e os católicos romanos. Ao buscar a luz, geraram calor. Uma questão fundamental no debate é a justificação, ou seja, quem passa pela porta. Alguns evangélicos proeminentes foram criticados por sua flacidez ou falta de determinação teológica, ao passo que outros insistem em uma definição reformada rígida. Alguns parâmetros são claramente necessários e bíblicos, mas, nesse debate, o que, muitas vezes, não se percebe é a inabilidade de seres humanos caídos julgarem o coração humano. A fé salvífica genuína tem sido expressada de forma tão simples quanto as seguintes palavras: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino” (Lc 23.42); ou: “O Deus, sê propício a mim, o pecador!” (Lc 18.13), ou ainda de forma tão completa quanto a que o apóstolo Paulo esboça em Romanos.

O que Jesus diria para os fariseus modernos como voce e eu 3 - aguas do marTemo que nossas disputas teológicas sobre os que podem passar pela porta possam deixar nauseado aquele que proclamou:

“Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, será salvo; entrará e sairá, e achará pastagens” (Jo 10.9).

Ou talvez nem mesmo sejamos tão “bons” quanto os fariseus, pois muitos de nós nem mesmo parecem se importar se as pessoas passam pela porta ou não. Nós, também como os fariseus, não desviamos algumas vezes as pessoas do evangelho? Gostamos de nos ver como arautos dos céus, enquanto o mundo está desligado de Deus por causa de nossa hipocrisia. Inúmeras pesquisas de opinião sobre a vida religiosa nos Estados Unidos, por exemplo, independentemente de quanto tentemos menosprezá-las, relatam a triste condição espiritual da igreja. Na maioria dos lugares, não ganhamos nossa reputação pela graça, bondade e verdade. Ao contrário, nossa reputação (e, portanto, indiretamente, a de Cristo) é de total falta de graça, carnalidade e hipocrisia. Será que nós, os que presumimos que somos os porteiros de Deus, estamos às portas dos céus com nossa vida, nossa falta de testemunho, nossas falhas pessoais e nossa hipocrisia? Algo está errado quando aqueles que afirmam para os homens que são os porteiros das portas dos céus repelem as pessoas.

O que Jesus diria para os fariseus modernos como você e eu? Acho que ele emitiria alguns avisos severos. Jesus aconselharia que, primeiro, nós nos olhássemos no espelho para examinar nosso relacionamento com ele antes de tomar a liberdade para avaliar os outros (Mt 7.1-5). Ele diria: “Julgue a você mesmo antes de julgar os outros. Passe mais tempo em seu aposento a favor dos perdidos que às portas ‘defendendo’ a si mesmo. Cuidado para não racionalizar e para não tornar superficiais as exigências para a salvação”.

Precisamos nos lembrar do evangelho simples. Existe uma vasta diferença entre o evangelho simples e o superficial; e muitas vezes trocamos um pelo outro, invertendo o que realmente deveríamos fazer. Precisamos tomar cuidado para não erguermos nenhuma barreira impiedosa às portas do reino. William Barclay comenta:

O perigo mais sério com o qual qualquer professor ou pregador se defronta é de ele determinar que os próprios preconceitos sejam princípios universais e substituir as próprias ideias pela verdade de Deus. Quando ele faz isso, deixa de ser um guia para o reino e passa a ser uma barreira para que as pessoas entrem nela, pois, por estarem desencaminhados, também desencaminham os outros (Nota 4).

Continua…


Notas:

1 – Os cristãos evangélicos escolhem sua resposta em vários tratados que apresentam uma fórmula em linguagem simples e transferível: “As quatro leis espirituais”; “A ilustração da ponte”; “Passos para a paz com Deus”; “Como compartilhar sua fé sem discussão”; estes são alguns dos muitos guias para a salvação disponíveis e amplamente distribuídos. Provavelmente, uma das perguntas evangelísticas mais populares é a seguinte: “Se você morresse hoje e fosse levado à presença de Deus, por que ele o deixaria entrar no céu?” Uso essa pergunta inúmeras vezes e sei exatamente as respostas que busco.

2 – Compare Mateus 9.9-13; 21.15-17; Mc 7.24-30; Lc 15; 19.1-10; Jo 4.1-45; 8.1 -59.

3 – Compare Mateus 9.33,34; 11.19; 12.23,24; 21.15.

4 – Barclay, William. The gospel of Matthew, vol. 2. Edinburgh: Saint Andrews, 1956, p. 289.

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Casado com Priscila Reis com quem tem 3 lindos filhos. Cristão, Economista. Gosto de música, viagens, e de ler. Saiba mais AQUI.

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