Indo para o inferno sem saber

Como você se sente quando alguém te engana? E se esse alguém te empurrasse para o inferno?

Bem, por incrível que pareça existiram pessoas que, enganadas, pensando que estavam ajudando…na verdade, estavam prejudicando e muito as outras pessoas!

Eles podem ainda existir e podem até estar perto de você!!

Saiba agora como identificar esses zelosos “amigos.

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o tornais duas vezes mais filho do inferno do que vós (Mt 23.15).(Nota 1)

No ambiente em que vivo, o ápice do sucesso é “trabalhar em tempo integral na obra cristã”. Ninguém é tido em estima mais alta que os evangelistas zelosos e aqueles que vão para missões no estrangeiro (missões no país de origem ficam em um degrau mais baixo nessa escada).

A maioria de nós é um evangelista lamentável, pois, muitas vezes, não estamos dispostos nem mesmo a atravessar a rua para falar sobre Cristo com um vizinho; e também supomos que os que estão dispostos a ir e falar sobre sua fé estão mais próximos de Deus. Eles só têm de estar espiritualmente em forma.

Entretanto, temos de ser cuidadosos para não chegar a conclusões precipitadas. Pois Jesus salienta em seu segundo “ai” que o evangelismo e as missões no estrangeiro não são necessariamente sinais de boa forma espiritual. As pessoas podem ter zelo pelas coisas erradas, e muitas vezes o têm; e isso resulta em maior dano que bem.

Leia AQUI O que Jesus disse para os fariseus: O Primeiro Ai.

O evangelismo era uma prioridade em meio aos fariseus do primeiro século, embora não seja possível confirmar que os judeus da época de Jesus eram “evangelistas” no sentido do termo no século 21, conforme D. A. Carson comenta:(nota 2)

Um bom número de estudiosos argumenta de forma convincente que o período que se estende do século primeiro até a queda de Jerusalém marca o período mais notável do zelo missionário judeu e seu correspondente sucesso.

indo para inferno sem saber 2 - aguas do marCuidado no caminho: Inferno à vista!

Os judeus da época de Cristo tinham algum interesse e sucesso limitado na conversão de pagãos gentios ao judaísmo. Essa tarefa, entretanto, não era fácil por causa das exigências do judaísmo farisaico e do estilo de vida pagão dos gentios. Portanto, o principal “ministério para alcançar pessoas” envolvia encorajar os que eram “tementes a Deus” (os judeus nominais) a se converter plenamente ao judaísmo e assumir totalmente o jugo da Torá (Nota 3).

Os fariseus se preocupavam principalmente com as conversões para a compreensão da vida santa adotada por eles. Confundiam proselitismo (converter pessoas às opiniões e à cultura religiosas de uma pessoa em particular) com evangelismo (apresentar as pessoas ao Deus vivo).

Isso mesmo, temos a mesma inclinação dos fariseus para evangelizar as pessoas para que adotem nosso ponto de vista particular e nosso conjunto de tradições. Até mesmo no campo missionário, temos o “proselitismo bem- sucedido” sem um produto satisfatório, da mesma forma que acontecia na época de Jesus. (Nota 6)

Observe que Jesus não desdenhava o proselitismo, o evangelismo ou as atividades missionárias dos fariseus. Tampouco ele criticava o zelo deles. Ele se preocupava com o produto e os resultados! Pois o produto do ministério dos fariseus não resultava em os filhos do reino, mas em filhos do inferno. E, para tudo ficar ainda pior, esses filhos do inferno eram zelosos agentes duplos para o Maligno. Pois é comum que os que se convertem para um sistema sejam mais militantes e menos equilibrados que seus mestres. (Nota 4)

indo para inferno sem saber 3 - aguas do marO que deu errado?

Primeiro, os fariseus apresentavam os convertidos a um sistema religioso mal direcionado, não ao Deus vivo. Esse sistema julgou de forma equivocada o Messias, chamando-o até de Belzebu (Mt 10.25; 12.24,27), oferecendo o caminho das obras para a salvação e exigindo obediência às tradições e às cercas inventadas por homens.

Segundo, os fariseus perderam de vista o fato de que a comprovação evangelística está no produto, não no proselitismo. Além disso, quando os convertidos eram “disciplinados”, eles conseguiam “ser mais farisaicos que os fariseus” (Nota 4). Os esforços mal direcionados dos fariseus realmente multiplicavam à medida que faziam seguidores que estavam a caminho do inferno e, até mesmo, em uma via mais rápida que os missionários evangelistas que os converteram!

Às vezes, fazemos o contrário. Primeiro, deve-se observar que, como os fariseus da antiguidade, a maioria de nós não é muito ativa no evangelismo e nas missões. Isso não quer dizer que não “apoiamos” o evangelismo e as missões.

Apoiamos sim — desde apoio com doação de ofertas para missões e com missionários até servir em comitês de missões. Segundo, parece que estamos muito mais preocupados com os convertidos que com os discípulos; com os “números”, e batismos, e estatísticas que com pessoas que verdadeiramente caminham com Deus.

indo para inferno sem saber 4 - aguas do marEm relação a isso, não somos tão “bons” quanto os fariseus, pois eles, pelo menos, buscavam compromisso total. Jamais podemos nos esquecer que Deus busca discípulos (Mt 28.19), verdadeiros adoradores (Jo 4.21-24), pessoas cuja fé está profundamente enraizada em solo bom (Mt 13.1-23). Ser evangelístico e orientado para missões enquanto produzimos adeptos que vivem pela Lei ou sem a Lei, tendo um estilo de vida promíscuo, é uma doença espiritual, e não representa a boa forma espiritual.

Temos a mesma inclinação dos fariseus para evangelizar as pessoas para que adotem nosso ponto de vista particular e nosso conjunto de tradições.

Podemos chegar a algumas aplicações práticas?

#1 – Primeiro, não devemos fazer julgamentos superficiais sobre a espiritualidade fundamentados em certas atividades religiosas, independentemente de quão difíceis elas sejam ou de quão zelosos sejamos em relação a elas. Personalidade, espírito aventureiro e autodisciplina sem o Espírito de Deus podem fortalecer muitas atividades aparentemente espirituais.

#2 – Segundo, precisamos ser cuidadosos para não fazer como os fariseus da antiguidade, convertendo as pessoas para uma religião, uma denominação, uma seita, uma teologia, em vez de convertê- las para Cristo. Pois o que buscamos, conforme acredito, não são clones de nós mesmos, mas seres humanos semelhantes a Cristo.

#3 – Terceiro, nós, como homens de negócios, temos de focar o produto. Não ajudamos a causa eterna de Cristo ao transformar nossa cultura pagã em uma cultura legalista. Embora o legalismo possa levantar o padrão de vida do povo (e isso é bom), ele também pode fazer diminuir a necessidade de Deus (e isso é indubitavelmente ruim). Talvez aplaudamos com muita rapidez as “conversões” e falhemos em cuidar da forma como o cristianismo é representado na vida das pessoas ou em nossa cultura.

Continua…

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Notas

1 – O versículo anterior, Mateus 23.14, sugere um “ai” adicional. Entretanto, esse ai se encontra nos manuscritos mais antigos da Bíblia. Essas palavras podem estar ou náo entre as palavras proferidas por Jesus naquela ocasião. No entanto, sabemos, por intermédio dos outros evangelhos, que Jesus realmente disse estas palavras, condenando os fariseus “[…] que devoram as casas das viúvas (e outras pessoas necessitadas), fazendo, por pretexto, longas orações (Mc 12.40; Lc 20.47). Se é possível, mesmo provavelmente, apresentar uma excelente vida de oração e ser espiritualmente doente; podemos explorar outros particularmente, mas aparentar espiritualidade por intermédio de nossas amostras públicas, inclusive orações públicas.

2-  Carson, D. A. Matthew, vol. 8 in Expositor’s Bible commentary, ed. F. E. Gaebelein. Grand Rapids: Zondervan, 1984, p. 478.

3 –  McKnight, Scott. A light among gentiles. Minneapolis: Fortress, 1990, p. 107.

4 –  Blomberg, Craig L. Matthew, vol. 22 do The new american commentary. Nashville: Broadman, 1992, p. 344.

5 –  Carson, D. A. Matthew, p. 479.

6 – Roupas suazilandesas e a fé cristã.
Nós, como os fariseus, podemos algumas vezes evangelizar com o evangelho que reflete o nosso conjunto de tradições. Há numerosas ilustrações de missionários de países colonizadores que entremearam a cultura europeia com o cristianismo.
No entanto, vi esse fenômeno em primeira mão quando fui missionário por um breve período em Suazilândia.
Enquanto ensinava nesse país, alguns de meus colegas de trabalho africanos disseram-me que os primeiros missionários consideravam um dos sinais da conversão cristã genuína as pessoas abandonarem as vestimentas tradicionais suazilandesas, ou abrirem mão desse costume, para vestir roupas ocidentais, inclusive ternos de três peças. Por fim, o cristianismo, na mente das pessoas, passou a ser associado a um estilo de vestimenta, e não a um relacionamento com Cristo.
Além disso, observei que, em missões, as denominações, algumas vezes, passam a rivalizar em “território estrangeiro”, em vez de cooperarem umas com as outras. Fico pensando se a maior motivação do trabalho desses missionários é promover o reino de Cristo ou a denominação (e as estatísticas). O objetivo sempre precisa ser apresentar o evangelho puro, sem qualquer adição cultural ou denominacional.

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Casado com Priscila Reis com quem tem 3 lindos filhos. Cristão, Economista. Gosto de música, viagens, e de ler. Saiba mais AQUI.

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