“Naquela ocasião eu lhes disse: Não posso levá-los sozinho. O SENHOR, o seu Deus, os fez multiplicar-se de tal modo que hoje vocês são tão numerosos quanto as estrelas do céu. Que o SENHOR, o Deus dos seus antepassados, os multiplique mil vezes mais e os abençoe, conforme lhes prometeu! Mas, como poderei levar sozinho as suas cargas, os seus problemas e as suas disputas?” Dt. 1:9-12

 Como deve ser um Governo segundo a Bíblia

Enquanto se preparava para estruturar o primeiro Governo formal de Israel, Moisés explicou ao povo qual o propósito do Governo e por que Israel precisava deixar de ter a pessoa dele como único governante. Até então, Moisés havia carregado sozinho o peso da liderança. Mas, esse sistema não estava mais cumprindo o objetivo do Governo. Qual era esse objetivo? Moisés via como sua, a responsabilidade de ouvir os problemas e disputas do povo a fim de trazer resoluções. Moisés não argumentou que as disputas não eram importantes ou que não deveria haver disputas. Ele não via as disputas como questões insignificantes ou como perda de tempo. Ele confirmou que elas deveriam ser ouvidas e tratadas mas, Israel tinha crescido tanto quando estava no Egito, que o sistema tribal de governá-los já não funcionava mais. Fies precisavam de um sistema mais eficaz para atender às necessidades jurídicas das pessoas. Um dos princípios fundamentais encontrados nessa passagem é o de que a finalidade principal do Governo é servir à população de uma nação, proporcionando uma fonte confiável e objetiva de arbitragem e Justiça. O sistema de Governo foi organizado de tal forma, que podia servir às necessidades das pessoas, tanto ao pequeno como ao grande (cf. versículo 17). Deus viu as necessidades jurídicas do povo e viu que o sistema em vigor não mais satisfazia àquelas necessidades. Ele, então, inspirou Moisés a criar uma estrutura governamental que iria atender a essas necessidades.

parlamento - aguas do mar

A Autoridade do Governo

1:13 “Escolham homens sábios, criteriosos e experientes de cada uma de suas tribos, e eu os colocarei como chefes de vocês.” 

Esse é um dos versículos mais sensacionais sobre o assunto. Pense nisso: essa Nação tinha vivido em exílio por 430 anos. Durante 300 anos, eles haviam sido escravos sob total domínio do Governo egípcio. A experiência que possuíam de liderança anterior a esses anos no Egito era a de governar uma família extensa de setenta pessoas, e não a de governar uma Nação. Podemos deduzir que a maioria dos hebreus era de pessoas sem estudo. Eles estiveram vivendo em pobreza e, certamente, não havia motivo para que os egípcios usassem o seu orçamento nacional para educar os seus escravos. Agora, eles ainda se encontravam no deserto, exilados numa “terra de ninguém,” sem possuir bens tangíveis, a não ser o que conseguiram carregar nas costas. Moisés era um homem de Deus, um homem que falava com Deus face a face. Deus estava dando a Moisés instruções detalhadas sobre como guiar Israel em direção à liberdade. Ele tinha dado uma tremenda autoridade a Moisés, ao cumprir tudo o que falou por intermédio dele. Se existiu alguém que teve uma linha direta de comunicação com Deus, esse alguém foi Moisés. Quando ele formou o governo de Israel, quais foram as instruções que Deus lhe deu? “Escolham homem sábios, criteriosos e experientes…” A quem foi dado o privilégio de escolher os líderes? Moisés? Aarão e Miriam? Não, ao povo de Israel. A primeira coisa que Deus fez através de Moisés ao estabelecer um Governo, foi dar ao povo o direito e a autoridade de escolher.

Que Deus maravilhoso! Com todo o Seu infinito conhecimento e sabedoria, Ele não impôs a Sua vontade. Ele poderia ter dito a Moisés: “escolha alguns homens sábios e experientes e os coloque sobre Israel.” Esse teria sido o modelo mais próximo ao que tinham presenciado no Egito. Esse teria sido o sistema mais parecido com o sistema das nações tribais que existiam ao seu redor. Mas, Deus fez algo tão radical, tão perigoso, tão não desse mundo, que ainda hoje lutamos para abraçar esse princípio. Ele deu ao povo de Israel o direito de escolher os seus líderes políticos. Então, podemos dizer que um segundo princípio de governo é que Deus dá a autoridade do Governo ao povo. Deus decretou por lei e delegou ao povo o direito e a responsabilidade de escolher quem iria governá-los. Ele instituiu uma linha de autoridade de baixo para cima em oposição à linha de autoridade de cima para baixo dos faraós egípcios. Ele deu poder ao povo.

Muitas pessoas, hoje, dentro e fora dos círculos cristãos, acreditam que o importante é dizer ao povo o que fazer. Com freqüência, deduzimos que o povo não tem a experiência, a educação e a compreensão de assuntos importantes para que possam fazer a escolha certa. Com certeza, seria melhor iniciá-los gradualmente e educá-los no processo da responsabilidade. Mas, Deus começou o processo de discipular Israel em sua nova condição de liberdade, dando a eles a responsabilidade de escolher quem iria liderá-los. A história de Israel sustenta esse princípio: eles foram governados por juizes durante 470 anos, porem, o povo que observava as nações que existiam à sua volta, viu que essas nações possuíam reis, e gostou da idéia! Israel teve alguns bons juizes, mas teve alguns verdadeiros fracassos. O maior deles, certamente, foi o famoso Sansão. Decidiram, por fim, que queriam um rei e foram falar com Samuel, o profeta da nação4. Samuel buscou a Deus e Ele lhe deu uma resposta bem clara: Ele não queria que Israel tivesse um rei, e lhes deu uma vasta lista de razões. Mas, o povo persistiu. Queriam um rei… Deus cedeu e disse a Samuel que eles podiam escolher o que queriam.

slider governo - águas do mar

Pense nisso, Deus lhes deu um rei que Fie não queria porque fora isso o que eles escolheram. Um rei não seria a melhor escolha, mas era isso que eles, como Nação, tinham decidido. Deus havia dado ao povo a autoridade de escolher seus líderes políticos. Mesmo depois de ter revelado claramente a Sua preferência, Ele se manteve fiel ao princípio. Israel decidira ter um rei. Deus, então, ajudou-os a escolher um rei. Perceba: Deus, além de se manter fiel ao princípio, também abençoou os reis que Israel escolheu. Saul, Davi e Salomão foram todos usados poderosamente por Deus, mas ainda representavam o sistema de Governo que Ele não queria. Talvez você esteja pensando: “mas, não foram, na verdade, os profetas que escolheram os reis?” Acompanhe comigo este processo fascinante: sim, Deus usou os profetas para indicar o líder que Ele achava que iria servir melhor aos interesses de Israel. Conforme a direção dEle, os profetas ungiam esses líderes, oravam e profetizavam sobre eles’. Porém, não encontramos nenhum rei em Israel que tenha sido coroado até que fossem ouvidas palavras como: Toda Israel se juntou e coroaram tal pessoa como rei.

Depois do povo ter feito sua escolha, só então o rei reconhecia sua autoridade. Esse princípio da autoridade do povo para escolher seus líderes políticos é testado na vida de Davi. Quando Saul morre, o Reino de Israel estava dividido com relação a quem deveria ser o próximo rei. A Casa de judá tinha escolhido Davi, rival de Saul, que já tinha sido ungido para ser rei sobre Israel, pelo profeta Samuel. Mas, Saul tinha um filho, Is-Bosete, e o restante de Israel o escolheu como rei. Dois líderes dos grupos de ataque de Is-Bosete decidiram que Davi deveria tanto ser o Rei de Israel como o de Judá. Eles assassinaram Is-Bosete e levaram sua cabeça a Davi que, ao invés de aceitar o convite para ser rei, ordena que esses sejam executados pelo assassinato que cometeram’. E permaneceu em Hebrom, até que todas as tribos de Israel viessem a ele e pedissem que ele fosse Rei”  porque, ele tinha estudado os livros de Moisés e entendia que Deus tinha dado ao povo a autoridade da escolha dos líderes políticos. Devemos nos perguntar qual o motivo de Deus ter estabelecido um sistema de Governo onde a autoridade fosse do povo. Não seria melhor para o povo se um Deus amoroso e bondoso lhes dissesse o que é melhor para eles? Evidentemente, não. Esse é um assunto muito complexo para ser abordado por completo nesta edição introdutória. Mas, parece que o discipulado de uma nação, assim como de um indivíduo, é vinculado ao processo de aprendizagem de causa e efeito ao se experimentar as bênçãos ou maldições que derivam automaticamente de nossas escolhas. Em outras palavras, Deus considerava que era mais importante para Israel aprender a fazer suas próprias escolhas, mesmo que essas escolhas não fossem perfeitas e eles tivessem de aprender com as conseqüências. Pensar assim, tem grandes implicações, mas, vamos esperar para abordar isso em um estudo futuro.

Governo na Bíblia: Caráter é fundamental.

1:13 “Escolham homens sábios, criteriosos e experientes…” 

Deus não deixou a nação de Israel solta no vácuo para fazer suas escolhas de liderança. Ele lhes deu diretrizes. Algumas dessas diretrizes focalizavam o caráter, a sabedoria e a reputação do líder. Um amigo nigeriano uma vez me disse que uma das grandes diferenças entre um ocidental e um africano é o critério que é usado para julgar a importância de um indivíduo. Um ocidental, sentia ele, está mais inclinado a avaliar um indivíduo pelo que ele possuí, ou pelo que faz, ou pela sua profissão. Por outro lado, um africano tira suas conclusões sobre um indivíduo com base no que as outras pessoas pensam dele. Em outras palavras, você terá prestígio dentro da tribo se a comunidade lhe der prestígio, não por causa de algo externo, como posses ou tipo de trabalho. A abordagem africana é mais relacional e ligada ao caráter e às ações do indivíduo dentro do contexto de uma comunidade. Com relação aos líderes políticos, Deus, ao que parece, inclina-se em direção à perspectiva africana. O povo era responsável por avaliar o caráter dos líderes aos quais iria conferir poder político, e então viver com as conseqüências dessas escolhas. Moisés deu a Israel três características para buscar em seus líderes: sabedoria, entendimento e respeitabilidade. Dinheiro e poder não são mencionados como critério, apesar de não serem fatores de desqualificação.

governo iii 3 - aguas do mar

Para que estes atributos de caráter sejam avaliados, os líderes tinham que ser conhecidos pelo povo e o povo tinha que determinar o que sábio e experiente significavam. O que faz um indivíduo ser respeitado? Como a sabedoria é demonstrada? O que significava ser compreensivo? Como comunidade, eles não tinham somente que buscar um indivíduo que possuísse estas qualidades, eles tinham que buscar entendimento sobre a natureza destas qualidades. Eles iriam, por assim dizer, entrarem um debate nacional sobre caráter. Deus, não só estava lhes dando um governo, mas estava lhes desenvolvendo como cidadãos.

Clique Aqui – Princípios sobre Governo III – Representantes do Povo

 

Pegue seu presente agora mesmo!

Digite seu email abaixo e ganhe o Ebook

Evidências da Existência de Deus

Seu email nunca será compartilhado.

Powered by Optin Forms
Compartilhe
Casado com Priscila Reis com quem tem 3 lindos filhos. Cristão, Economista. Gosto de música, viagens, e de ler. Saiba mais AQUI.

1 COMMENT

Deixe uma Resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here